Triplopia: Gregório Gruber, Lúcio Tamino e Lorena Hollander

Atualmente fala-se muito de coletivos: grupos de artistas que atuam em conjunto. O que talvez não seja tão visível são artistas que, em família, desenvolvem produções dialogantes. Enquanto Gregório estabeleceu-se como um dos mais reconhecidos pintores da paisagem brasileira, seus filhos, vêm traçando caminhos próprios, com firmes passadas, sem a necessidade de usar o rótulo de grupo. Triplopia – a segunda exposição do trio na Pinacoteca da Fundação Pró-Memória de São Caetano – é o nome de um fenômeno que pode ocorrer nos olhos – a tríplice visão do mesmo objeto – mas no caso desses artistas, trata-se de três visões em relação à arte.

Essas visões se justapõem em também três temas principais: a paisagem – seja ela urbana, ou natural –, a música e a política. Nesta exposição, as famosas paisagens urbanas de Gregório se unem às séries de fotografias de Lorena, em que a escala humana e a da cidade se misturam. Lúcio e Gregório compartilham da mesma paixão: a paisagem natural, e pintam a quatro mãos para representá-la. A música une os três artistas nas coloridas assemblages de Gregório, nos arrojados backlights de Lorena e na participação de Lúcio no clipe criado para a banda Diafanes, fundada pela irmã. A união entre a música e as artes plásticas firma-se nas pinturas em guitarras da exposição Ruído Abóbora, criada por Lorena e também aberta ao público. Por fim, as questões políticas: ônibus queimados e casarões abandonados que são vistos através do olhar de Gregório. O ativismo, os protestos e a denúncia da negligência para com a natureza são revelados pelas obras críticas de Lúcio, enquanto Lorena captura os movimentos do corpo, que quer se libertar do caráter opressor das metrópoles. É assim que se forma a energia vital dessa Triplopia.

Tatiane Santa Rosa